“A jornada da alma que aprende a fluir “


Coberta de pétalas,
leito do rio,
a sakura se vai
Capítulo I: O Despertar no Leito do Tempo
A paz invadiu o meu ser. Não era a calmaria do silêncio comum, mas a certeza de quem desperta
em um lugar celestial. Ali, onde o tempo não se mede em horas, tudo transbordava harmonia e luz.
Fui preenchida por um sentimento de grandeza e expansão tão absoluto que as barreiras físicas
deixaram de existir. Eu não estava mais contida em mim mesma; eu era o todo. Experimentei a
eternidade de estar em todo lugar ao mesmo tempo, livre, consciente, inteira.
A minha memória, guardiã de tempos que o corpo não viveu, relembrou-se de mim: sentada na
postura serena de um escritor antigo, transcrevendo no papel os conhecimentos que o silêncio me
soprava. O Japão não era um mapa, era o portal. O start havia sido dado…
Aos 66 anos, sinto a vida dentro de mim se aflorar como uma magia. Cada alvorecer traz consigo a
vivacidade de um lugar distante, uma terra onde não nasci e não cresci, mas que detém a chave de
quem eu realmente sou. Não há lógica que explique, apenas o sentir absoluto.
O leito do rio está cheio, e o meu agora é o momento perfeito para deixar essas águas correrem.
Decidi, finalmente, deixar a minha alma enviar e materializar os seus conhecimentos mais profundos.
E, ao escrever, permito que ela me ensine a viver de forma plena e absoluta
Capítulo II: O Brilho na Rachadura
A minha vida sempre foi um desenho de erros e acertos ao longo da caminhada. Não houve linha
reta, mas sim o contorno sinuoso de quem ousou viver. Vivenciei as dores profundas, aquelas que
pareciam quebrar a estrutura, mas também experimentei as alegrias luminosas que costuraram os
pedaços de volta.
Hoje, compreendo que cada cicatriz foi o cenário de uma metamorfose. As transformações que a
vida me proporcionou não apagaram o que passou; elas cobriram de ouro as minhas fendas. Olho
para trás em solicitude e vejo que a beleza não estava na perfeição, mas na coragem de continuar
fluindo, como o rio que acolhe as pétalas de sakura e segue o seu curso…
Capítulo III: O Caminho da Escuta e do Fluxo
Quero ter sentimentos que elevem a minha alma ao Ser Maior, a Deus. Na busca por essa
transcendência, compreendo que o meu papel não é mudar o mundo, mas fazer a minha parte com
pureza: ser abrigo e estender a mão, obviamente, a quem bater à minha porta.
Desejo compartilhar o que sei sem hipocrisia e sem jamais interferir no livre-arbítrio das pessoas.
Aprendi a respeitar o tempo e o momento de cada um, mesmo que sejam o meu esposo, os meus
filhos e as pessoas mais queridas. Percebo, hoje, que distanciando-me do desejo de controle, posso
ajudar muito mais. Esse é o meu voto de respeito.
A cada instante, busco silenciar o barulho externo para poder sentir e ouvir a verdadeira voz divina
me guiar. Quando ela disser “este é o seu caminho”, quero apenas seguir, deixando-me levar pela
fluidez absoluta da vida. Sei que existirão momentos de incertezas, mas confio que, a partir de
agora, a voz divina estará mais alta, já não mais baixinha dentro de mim




