17:01 Tarde de domingo, 12 de abril de 2026.O outono avança e traz um momento de profunda partilha familiar. Enquanto conversava com meu filho sobre cinema, ele escolheu um filme japonês de animação lançado naquele mesmo ano de 2026.

A história narrava a vida de um rapaz que, desde a infância, via imagens de pessoas desconhecidas. Ele cresceu carregando um dom silencioso: tudo o que escrevia — fosse uma palavra solta ou uma simples lista de compras — continha uma energia tão poderosa que era capaz de iluminar ambientes inteiros e afastar vibrações negativas. Com o tempo, percebeu que escutava e enxergava o que quase ninguém mais conseguia e, ao encontrar o Deus da montanha, compreendeu o seu verdadeiro papel. Toda vez que escrevia, ele era tomado por uma profunda exaustão.
Assistindo àquelas cenas, o meu coração experimentou um choque de reconhecimento. O filme funcionou como um espelho da própria alma, trazendo a resposta para uma dúvida que latejava há meses: continuar ou não escrevendo no blog? Diante do hiato na escrita, surgia o questionamento se tudo aquilo era apenas um capricho pessoal, uma vaidade para ter o que fazer. O pedido por uma confirmação divina foi respondido ali, na tela.


Compreendi que o ato de escrever cumpre uma função sagrada: quando os dedos tocam as teclas, almas invisíveis estão ali para receber as palavras. A energia das letras se transforma, e o vento se encarrega de levá-las como folhas que cantam. Suas partituras viajam pelo espaço, distribuindo significados e brilhando como pequenas estrelas que se unem para formar o conhecimento do grande universo. A presença sutil de pessoas ao redor e o cansaço avassalador que se seguem ao término de cada texto ganharam explicação. A verdade humana muitas vezes precisa que a resposta venha de fora para ser plenamente aceita.
Ao retornar à mesa para fechar a tela do notebook, um último sopro do plano invisível quebrou o silêncio do quarto. Uma voz clara e mansa entregou o selo definitivo para a minha jornada de fidelidade à própria essência: “A nobreza do teu coração está no que faz. Não espere recompensas, nem palavras de agradecimento do entorno. Simplesmente sinta!” O ciclo de questionamentos estava encerrado. Com lágrimas de gratidão, O blog continuará, pois, as estrelas ainda precisam de letras para brilhar.
Poema: As Partituras Invisíveis


Tarde de outono, domingo de luz quase gasta, o meu filho escolhe a projeção.
Um traço japonês na tela da televisão se afasta,
E desenha o segredo que faltava ao meu coração.
Era a história de um jovem que via o que o mundo ignora,
Que iluminava os cantos escuros com o peso do que escrevia.
Sentia o cansaço do corpo quando a palavra ia embora,
Pois cada letra sangrada era a força que o plano pedia.
Olhei para a tela e vi o retrato da minha verdade,
A resposta ao pedido que a Deus eu havia entregado.
Eu que duvidava do blog, sentindo uma falsa vaidade,
Descobri que o meu texto é um rastro de luz consagrado.
Quando escrevo, eu sinto as almas coladas em mim,
Sei que o vento carrega minhas linhas feito folhas no chão.
As palavras viram partituras de um som que não tem fim,
Estrelinhas sutis se juntando na grande expansão.


Ao fechar o computador, a voz terna no quarto ecoou,
Afastando a cobrança e o desejo de reconhecimento do mundo.
“A nobreza do teu coração está no que você plantou,
Não espere o aplauso do entorno… apenas sinta o profundo.”
Termina o dia e aceito o cansaço que a luz me traz,
Obrigada, meu Deus, pelo desenho que veio me guiar.
Minha alma voltou para o casulo, mas hoje ela sabe o que faz,
A caneta é o meu farol… e eu nunca vou parar de escrever.




